VIVA THEUSINHA!

O Coletivo Seus Putos é um grande corpo fragmentado espalhado por entre as margens. Ele nasceu de um abraço, aconteceu em conversas na fila do bandejão, reuniões no ateliê do Instituto de Artes da UERJ e fora dele, em praças, trilhas, na casa uma da outra, batendo papo, planejando ações, dançando, fazendo aniversário, se amando. O Coletivo é uma escola de resistência, uma rede de afetos, uma casa de proteção e acolhimento, uma rua de atravessamentos, questionamentos, reposicionamentos. Ao longo da nossa história fomos aprendendo muito com essa troca, que é acima de tudo, uma troca de amizade e carinho que, num sistema extremamente desigual, individualista, cisheteronormativo e egocêntrico, nosso afeto, nossa união é política. Resistimos juntas para poder existir.

Transbordamos gratidão pela troca que esse encontro nos proporcionou, essa conexão de alma, essas energias convergentes. Nossa pele está marcada, e somos porque Theusa foi. Foi fio de luz, foi fonte de amor liberto, foi corpo estranho, foi metralhadora em estado de graça. E, claro, ainda é tudo isso, que levaremos conosco onde quer que formos no mundo.

Por isso, reunimos em 21 sentenças – porque são 21 primaveras feitas no dia 21 de janeiro desse ano – palavras que são como uma tentativa de expressar os tantos atravessamentos que compartilhamos nessa longa/curta estrada.

1. corpo estranho!!!!!
2. Ponto central de sustentação da rede de afeto.
3. Theusa, deusa, mana, irmã, amiga…
4. Como a borboleta que você é, vamos transformar essa dor em luta, evidenciar toda a sua beleza e voar bem alto juntas.
5. Coletivo: forma de discutir, pensar junto, criar novos mundos.
6. Só a potência do corpo e dos afetos é capaz de resgatar a vida diante dessa máquina de consumo, racista, lgbtfóbica, patriarcal e colonizadora que nos mata.
7. Tomar consciência da importância de existir. do bem estar de ser quem quiser. de seguir a própria natureza em detrimento dos padrões impostos. da liberdade de poder habitar – palavras da própria Theusa
8. Num mundo que separa, nos unir em irmandade, em coletivo, em putagem, é revolucionário.
9. Você tatuou com luz nossas vidas e nos marcou com seu amor.
10. Sempre bem arrumada, bem montada, bem florida, bem purpurinada, bem colorida e muito iluminada: LIBERTA!
11. Theusa veio de Rio Bonito desbravar o Rio Janeiro e passou fevereiro, março e ficou mais de 3 anos. Construiu seu repertório, uma nova família, se descobriu um corpo estranho e o transmutou. 12. Performance, tatuagem, moda, xilogravura, corpo, arte.
13. Plantar amor, plantar afetos, plantar resistência, plantar plantinhas, plantar o que theusa ensinou.
14. Respirar pelo diafragma e beber bastante água, o corpo funciona melhor.
15. Corpo Estranho que muda, transborda e transforma, uma pequena muda que nunca se cala e vive em nós.
16. Você precisa cavar para reencontrar, mas não é fácil, você vai ver que é preciso ter força e amigos.
17. Nós somos uma família, somos todas irmãs e não importa o quão denso seja o trajeto, faremos juntas, uma abraçando e puxando a outra até ultrapassarmos todos os obstáculos, deixaremos a porta aberta e traremos todxs.
18. Coletividade na cidade, resistência, tomar corpo como união, afetividade negra, território. são ensinamentos da theusa, aprendizagens que não iremos esquecer.
19. Matheusa, nos Seus Putos, compartilhou sua voz e potência, enviou mensagens de amor e resistência, apesar de todas as injustiças que vivemos nessa sociedade.
20. Theusa não veio de Rio Bonito à toa.
21. Durante nosso primeiro abraço, que continua reverberando, disseram que nossa hora ia chegar, mas não é só a nossa hora. A hora de toda essa massa fascista, racista, machista, lgbtfobica vai chegar! Eles NÃO passarão, nós Passareli!

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Putas Maravilhas em: GENTRIFICADO

Putas Maravilhas em: GENTRIFICADO

Na Praça Mauá, dia 19 de dezembro de 2015, mais uma vez nós putinhas do Coletivo Seus Putos atacamos. Dessa vez fomos ao recém inaugurado Museu do Amanhã para buscar algumas respostas pra tantas perguntas: “Quem somos? De onde viemos? Onde estamos? Para onde vamos? Como queremos ir?GEO_0850
O Museu foi criado para pensar o futuro através do passado e do presente relacionando os contextos sociais de ontem e hoje. Sendo assim, nada mais justo do que esse maravilhoso museu, futurístico e sustentável, projetado pelo badalado arquiteto espanhol Santiago Calatrava – já que aqui no Brasil nós temos poucos arquitetos, né…- problematize o contexto e o local em que foi pensado e construído.
No meio de um projeto de urbanização do prefeito Eduardo Paes em parcerias publico-privadas, a gestão do Museu do Amanhã foi entregue a Fundação Roberto Marinho, a mesma gestão do “queridíssimo” e polêmico MAR(Museu de Arte do Rio). Não é de se espantar a imensa propaganda feita pela rede Globo que atraiu multidões para a inauguração do museu.
Com a revitalização da Praça Mauá, região urbana negligenciada até então, é impulsionado o processo de expansão imobiliária e é instituída uma nova economia do turismo. O cenário instalado não necessariamente beneficia a população local, muito pelo contrário: a elevação da região por meio de símbolos arquitetônicos serve principalmente ao uso midiático e político das grandes empresas e dos megaeventos, como é o caso das Olimpíadas de 2016.
Novamente a pretexto da arte e da cultura, maqueiam-se os projetos de urbanização que promovem a gentrificação nos bairros pobres que fazem parte ou circundam a região portuária, que por sua vez possui uma importância histórica enorme. Quer dizer que o “Amanhã” tá esquecendo do ontem, neah?…GEO_0229
A gentrificação de que tanto falamos em nossas placas trash feitas de lixo e nossa tinta rosah baphonica e na nossa bandeira babahdo trata-se de um processo onde regiões periféricas, pobres ou abandonadas pelo poder público e pelo turismo durante certo tempo passam a ser vistas como estratégicas, recebendo políticas públicas que visam a transformação e elitização do local. É uma política que obviamente não se direciona àqueles com menor renda, provocando a sua remoção direta ou indiretamente. Exatamente por isso que as putinhas maravilhas não iam ficar caladas.
A famosa Pedra do Sal, referência do samba para a cidade, está localizada onde milhares de escravos desembarcavam nos séculos XVIII e XIX, numa época em que o Rio de Janeiro chegou a se tornar o maior mercado de escravos do Brasil. A região ocupada pelos negros e estrangeiros que chegavam, foi e ainda é um espaço de muita resistência. Principalmente agora que a população dos bairros da Gamboa, Saúde e Providência são ameaçados com a chegada do “futuro”. De quem é o futuro que pode ser discutido? Para quem e com que intuito volta-se a cultura, a arte e o entretenimento? O deslocamento político das narrativas hegemônicas é uma tática do Coletivo Seus Putos, no sentido em que a ação é pensada a partir de um contexto político específico, de onde surgem possibilidades de vivências e intervenções poéticas. A estética marcada pelos devires de gênero das nossas putações é dessa vez associada a um conceito de futuro e de corpos tecnologizados. Ou seja, as Putas Maravilhas vieram daquele jeito gostoso de sempre deixar a mensagem, já que todes sabíamos que o Museu tão promissor, tão tecnológico, tão pensador do ontem, hoje e amanhã, não falaria do real contexto histórico e social em que se insere e como foi inserido.
Na divulgação do evento pelas diversas mídias não foi questionado em nenhum momento o amanhã dos moradores da região portuária. Isso em prol de imperativos universais de questões ecológicas e tecnocientíficas, porque talvez só interessem aos moradores do amanhã$$$$ mesmo…

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Putação localizada: Artrio.

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O projeto Porto Maravilha encabeçado por nosso maravilhoso prefeito mostrou à burguesia intelectualizada que vem apreciar a Arte de galeria, a cidade do futuro! O VLT (veículo leve sobre trilhos), o Museu do Amanhã e claro, a praça Mauá, completamente restaurada, apresentam o panorama da cidade olímpica.

Segundo a Prefeitura do Rio de Janeiro, a operação urbana “Porto Maravilha” é uma ação estratégica e inovadora com pleno apoio dos Governos Estadual e Federal. Além de criar novas condições de trabalho, moradia, transporte, cultura e lazer para a população que ali vive, fomenta expressivamente o desenvolvimento econômico da região.

Mas calma aí? Novas condições de trabalho pra quem? Moradia, transporte, cultura e lazer para quem? Pres pobres que moravam ali?

É só chegarmos perto do píer Mauá, onde aconteceu a 5ª edição da Feira de Arte, a Artrio, pra ver pra quem aquela região vai criar novas condições de trabalho, moradia, transporte, cultura E lazer. A começar pelo preço a se pagar pra ver “grandes” obras de artistas renomadíssimos, como Botero e Dalízzz.

Apenas 30 Dilmas para entrar e respirar ARTE E CULTURA. Óbvio que todes podem pagar…

Por isso, nós putianes atacamos mais uma vez, agora pra fazer a Melody e mostrar cultura de verdade pra essa gente.

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PREVINA-SE: PORTO MARAVILHA GENTRIFICA*****!

Fizemos as artísticas prevenidas, sempre preocupadas com a saúde e distribuímos camisinhas nessa tal feira de Arte. Quem estava lá, recebeu, abriu a camisinha e pôde se prevenir.

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Mas se vocês acham que a ação ocorreu às mil MARAVILHAs estão enganades. A história não termina aí. Isso porque quase no final da putAção, chegaram os seguranças (claro que eles não podiam faltar s2). Primeiro um, depois outro e quando vimos tinham nada mais que sete seguranças, isso mesmo, sete, formando uma roda ao redor de nós putas. Nos advertiram, com toda aquela graça e delicadeza que só eles tem, de que não podíamos estar distribuindo nossa arte, já que não somos galeristas. (Só pode arte institucionalizada, né Artrio?)

Como boas transfiníssimas que somos, entramos em acordo de que não iríamos mais distribuir, estávamos arrumando nossas coisas pra poder apreciar aquelas maravilhosidades institucionalizadas quando, eis que surge do nada, um segurança brutamontes grosseiramente falando que seríamos enquadrades na POLÍCIA FEDERAL por ATENTADO AO PUDOR.

Alguém pode, por favor, explicar pro nosso migo segurança que usar um vestidinho babado não é atentado ao pudor? Obrigade

Após esse momentos de angústia, decidimos não mais ficar nesse lugar, onde fomos tratadas indignamente, assim como as centenas de pessoas expropriadas dessa área gentrificada e continuamos a nossa ação fora da feira.

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*****Chama-se gentrificação, (do inglês gentrification) o fenômeno que afeta uma região ou bairro pela alteração das dinâmicas da composição do local, tal como novos pontos comerciais ou construção de novos edifícios, valorizando a região e afetando a população de baixa renda local. Tal valorização é seguida de um aumento de custos de bens e serviços, dificultando a permanência de antigos moradores de renda insuficiente para sua manutenção no local cuja realidade foi alterada.

Operação Lava-Daros

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Sexta-feira dia 11/09 aconteceu a vernissage da suposta última exposição da Casa Daros intitulada “Ficción y Fantasía – Arte de Cuba”.

Dona da maior coleção de arte latino-americana, a casa é mais uma instituição de arte suja, como muitas outras por aí. Sua origem vem de uma tentativa do empresário suíço bilionário-filantropo-socioambiental-adorador-de-arte-latina Stephan Schmidheiny de “lavar” sua biografia. Isso porque a empresa de sua família, o grupo Eternit, um dos maiores produtores mundiais de amianto, causou a morte de milhares, senão milhões de pessoas, devido ao caráter tóxico da substância.

Tentando abafar esse terrível fato, Stephan vendeu a empresa e resolveu investir no ramo da arte, comprando uma grande coleção com 1.200 obras de 117 artistas latino-americanos, sendo 19 brasileiros, entre eles Cildo Meireles, Ernesto Neto, Nelson Leirner, Antônio Dias, Lenora de Barros e Vik Muniz, mais tarde vendida pra sua ex-esposa.

Então… Como bons putos informados e ativistas que somos, nós do coletivo, resolvemos marcar presença na vernissage. E nada melhor do que lavar uma graninha que estava suja pelo grupo Daros, né nom?

Como a grande profetisa Ines Brasil diz: “porque Deus disse: faça por onde que eu te ajudarei”, já que a Daros não faz, nós putianes vamo fazeno.

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Compartilhamos um puta link pra entender melhor essa história: http://brasil.elpais.com/brasil/2014/01/06/opinion/1389007120_928954.html

Clima fica delicioso entre putas performáticas e coxinhas governistas que se reuniam na Uerja em ato contra violência

Grupos com ideias opostas trocam putarias e agressões verbais. Putas de Artes Visuais pintam corpos com sangue cenográfico


Correção da notícia veiculada pelo jornal O Globo por Coletivo Seus Putos

RIO — Cerca de 500 professores, alunos e funcionários coxinhas se reuniram na do dia 3 de Junho de 2015 na entrada da Uerja, próximo ao portão 5, no Maracanã, para mais um protesto na universidade. Só que, desta vez, contra a liberdade de expressão no campus. Mas, apesar dos pedidos de silenciamento, o clima esquentou entre os manifestantes da família tradicional brasileira, os militantes revolucionários de carteirinha e as putas pornoterroristas.
Enquanto a hipocrisia pretendia “abraçar” a Uerja, outro grupo exibia uma faixa do Movimento Estudantil Popular Revolucionário (MEPR) e exigia a saída do reitor Ricardo Vieiralves.
Foram exibidas faixas pedindo uma democracia quase fascista e anunciando o desmovimento criado após as manifestações da quinta-feira da semana anterior: “Somos todos Uerj”. Em contra-ato, estudantas transfiníssimas de Artes Visuais fizeram uma ação estético-política, com os corpos quase peladinhos, sujos de sangue cenográfico e as bocas vendadas.
Uma das lideranças do “Somos todos Uerj” (quem somos todos?), a professora nem um pouco educadora Tatiane Alves passou um cheque pela boca dizendo que o objetivo era unir a universidade e pedir o fim da violência:
— “Queremos uma Uerj plural e democrática, sem violência”, afirmou Tatiane, elogiando a intervenção dos alunos de arte; claramente demonstrando toda a sua hipocrisia e tentativa de apropriação da crítica feita pelo coletivo.
— “Esse é o coroamento do nosso movimento. É o que queremos: debater ideias, mesmo que opostas”.

Uma putaluna do curso de Artes Visuais que não se identificou criticava o “abraço”. Segundo ela, os professores pedem paz, mas os seguranças agridem alunos que fazem manifestações.

Como documentado em vídeo, uma das vozes do abraço exclamou:
— “Sua hora vai chegar, seus putos!”, claramente contra os que performavam no contra-ato.

Daí surge o nome do Coletivo Seus Putos, que veio a se tornar um grupo de ações estético-políticas e práticas teóricas de crítica às instituições de opressão e aos padrões normativos.